No Brasil, permanece a peculiaridade da figura do síndico condominial na condição de voluntário, apesar de sobrecarregar o cargo com responsabilidade civil e criminal por acontecimentos nas dependências do condomínio. Em razão desse cenário, observa‑se o crescimento da contratação de síndicos profissionais remunerados, com formação em administração, contabilidade ou direito e experiência comprovada na gestão condominial. Dostoiévscki Vieira, presidente do Instituto Pró‑Síndico e síndico profissional, destaca que empreendimentos de grande porte — citando condomínios com mais de 10 mil moradores e orçamentos anuais superiores a R$ 15 milhões — demandam gestão técnica, tornando inviável um gerenciamento amador.
Pesquisa do Instituto Pró‑Síndico indica que 47% dos moradores não aprovam a atuação do síndico atual, o que sustenta a projeção do instituto de que, até 2020, cerca de 50% dos condomínios brasileiros seriam administrados por profissionais contratados. Maurício Lopes, diretor da Implanta Condomínios, corrobora a tendência, afirmando que a procura por esse serviço está em forte crescimento e que a demanda supera a capacidade de absorção do mercado. A principal dúvida em assembleias, segundo os entrevistados, costuma ser o custo da contratação.
Quanto à remuneração, explica‑se que os honorários geralmente são calculados com base na quantidade de unidades e na estimativa de horas que o síndico e sua equipe dedicarão ao condomínio. O Instituto Pró‑Síndico recomenda a adoção de um valor por unidade como parâmetro contratual, por oferecer maior transparência para as partes. Na prática, síndicos profissionais costumam implementar, desde o início da gestão, medidas voltadas à racionalização de despesas: reavaliação do quadro de funcionários, otimização do consumo de energia, água e gás, revisão de escopos e renegociação de contratos, além da verificação de itens de segurança e funcionamento cujo descumprimento pode gerar multas superiores ao custo de reparos.
Do lado da arrecadação, esses profissionais implantam sistemas de cobrança mais eficientes, reduzindo significativamente a inadimplência. Em regra, os entrevistados afirmam que, em média, é possível atingir o ponto de equilíbrio (break even) em torno de seis meses, quando a economia gerada compensa ou supera os honorários pagos. Como exemplo prático, Vieira relata economia que, em um empreendimento sob sua gestão, igualmente em 60 dias, resultaram em redução de custos que, projetadas para o ano, totalizam R$ 192.000,00 — fruto de alteração no modelo de limpeza de piscina e renegociação com a concessionária de água. Essas informações interessam diretamente à análise contratual, à governança condominial e à avaliação de risco na contratação de serviços especializados.