Um homem de 43 anos foi mordido por um macaco bugio-ruivo, espécie considerada em extinção, enquanto caminhava com a filha no condomínio onde moram, no Bairro de Lourdes, em Juiz de Fora. Apesar do acontecimento, o animal é conhecido dos moradores há cerca de dois anos e chegou a ser apelidado de ‘Cornélio’.

A agressão aconteceu quando Pedro Teixeira estava indo almoçar na casa do pai com a filha e, enquanto subia para o local, escorregou nas pedras e acabou caindo. Isso teria assustado o animal, que agarrou a panturrilha dele.

O homem foi levado para o HPS e precisou tomar várias vacinas. Além disso, está fazendo tratamento com antibiótico, mas passa bem. A criança não teve nenhum ferimento.

Conhecido no condomínio

Macaco apareceu no condomínio há mais de um ano em Juiz de Fora — Foto: Faustino Teixeira/Arquivo Pessoal

Segundo Faustino Teixeira, pai de Pedro Teixeira, que foi mordido, eles acreditam que o macaco tenha saído da mata do Poço Dantas, que fica próximo ao local.

“Ele começou a frequentar as casas, subia nas árvores e sempre foi muito manso. Nunca teve nenhuma atitude que causou medo nos moradores“, contou o pai do homem mordido.
“Por isso tivemos a preocupação em deixar as portas e janelas fechadas, mas nunca tinha acontecido nada”, conta.

O homem entrou em contato com o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Polícia Ambiental para tentar realizar o resgate do macaco, mas de acordo com ele, sem sucesso.

Em nota, o Corpo de Bombeiros explicou que a família foi informada que deve acionar a corporação para realizar a captura do macaco e destinar o animal ao Cetas.

Animal não deve ser retirado do seu habitat

O g1 conversou com o analista ambiental e biólogo do Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Juiz de Fora, Glauber Barino, para entender qual seria a melhor abordagem para lidar com a presença do animal no condomínio.

O especialista explicou que o IEF não faz o recolhimento do macaco, porque seria difícil realocar o animal para outro local, e que, além disso, ele não seria aceito por outro bando.

O biólogo orienta que os moradores parem de alimentar o macaco, porque assim a tendência é de que ele se afaste das casas.

Recomendações

 

De acordo com o Corpo de Bombeiros, caso o animal ataque uma pessoa, a recomendação é procurar atendimento médico e guardar as características do animal ou tirar uma foto para identificação de possível vetor para zoonoses e devido tratamento.

Os militares indicam que na possibilidade de se deparar com o animal em um ambiente que não é o natural dele, a orientação deve ser fazer contato com os Bombeiros para captura dele e até a chegada dos militares isolar o local.

Ameaçado de extinção

 

A espécie bugio-ruivo, segundo uma pesquisa do Grupo de Especialistas em Primatas junto à Sociedade Primatológica Internacional, está entre os 25 primatas mais ameaçados de extinção do mundo.

O macaco bugio-ruivo é um indicador da saúde dos ecossistemas da Mata Atlântica, onde habita, e sua presença e comportamento são indicativos do equilíbrio ecológico da região, uma vez que sua alimentação à base de folhas e frutas contribui para a dispersão de sementes, promovendo a regeneração das florestas.

Fonte: G1

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